domingo, abril 15, 2012

O "Azeite da Beira Alta", uma riqueza antiga!

O azeite da Beira mais Alta, tinha ainda em meados do seculo passado, uma fama de reconhecido valor e, o concelho de Fornos de Algodres, era um dos grandes productores!
Mas isso era no tempo, em que a sua cultura, colheita e producao, era feita a forca de maos de homens e mulheres, muitas vezes pagos miseravelmente, pois os grandes olivais eram propriedade de familias, muitas delas de pergaminhos historios, mas que pouco ou nada fizeram, para o desenvolvimento regional!
Nao estou aqui a culpar ninguem, porque eram outros tempos, que poderiam ter sido melhores ou nao, porque o passado so serve para nos dar licoes, e nao voltarmos a cometer os mesmos erros!
Embora e como disse, os grandes olivais eram propriedade de uma duzia, ou pouco mais de proprietarios, no entanto havia muitos pequenos proprietarios, que tinham umas quantas oliveiras, que se nao produziam o bastante, para o seu consumo privado, pelo menos ajudavam, que era o caso da minha!
Acontece que quando a mao de obra encareceu, originada pela partida de muita mao de obra, para a emigracao e, para imigracao interna, deixou de ser rentaval a olivicultura, nos moldes em que era feita, desde epocas quase medievais, ou ate mais antigas!
Deveriam e, caso tivesse sido esse o desejo, dos grandes proprietarios oliviculas, ter enveredado para uma agricultura moderna e mecanizada, como fizeram e ainda estao a fazer os espanhois, ate ja no nosso Alentejo: "E ja que nao fazemos nos, que ou menos o facam outros"! Mas a Patria e que perde.
Ainda sou do tempo, (e isto so prova a minha velhice) em que em quase todas as freguesias havia lagares e, em  muitas ate mais do que um. E verdade que ainda existe alguma producao de azeite no nosso municipio, mas isto hoje comparado com ha 50 anos, e uma gota de agua!
Como o meu desejo, e mostrar mais as coisas boas, muito mais do que falar das outras. Apresento aos que nao conhecem, o que creio ser actualmente, unico lagar de azeite da "Terra de Algodres". E o "Lagar do Cacoico" que fica na povoacao do mesmo nome, freguesia de Juncais. Se por la passarem comprem e comprovem, que um dos melhores azeites nacionais, continua a produzir-se embora escala menor, no Municipio de Fornos de Algodres.


2 comentários:

aluap disse...

Na minha aldeia também existiram, pelo menos, dois lagares de azeite, de que ainda há ruínas, mas que já não lembro ver funcionar e em documento antigo é mencionado que como indústria local tinha “fabrico de azeite em um antigo lagar.” Mas é como refere. Muitos partiram, o que reduziu muito a mão de obra, mas os que ficaram, embora a azeitona dê muito trabalho a apanhar, ainda continuam a cuidar das suas oliveiras, pois a oliveira produz muito bem na nossa região e o azeite é de muito boa qualidade e, a meu ver, a boa qualidade justificaria uma cooperativa com engarrafamento próprio e defesa da qualidade, juntamente com aldeias dos concelhos circundantes onde também se produz bom azeite e em vez do lugar de mato e silvas que estão a tomar conta dos terrenos abandonados, podia-se plantar oliveiras. Só que cada vez há menos jovens nas nossas aldeias.
Fez-me o Lagar do Cadoiço recordar uma visita de estudo que fiz quando estudei em Fornos.

Um abraço amigo

Eddy Nelson disse...

Caro amigo AL, celebro esta sua eloquente visão do contexto historico relacionado com a exploração "latifundiária" olivicola nas Beiras. contudo, tal como muito bem confirma, desses saberes populares relacionados com a transformação da azeitona (os velhos mestes-azeiteiros) já pouco ou nada resta. contra este estonteante esquecimento de um dos mais extraordinários conhecimentos da dieta mediterranica, a par do vinho, lute-se para preservar o tangivel e o intagivel destas riquezas...

abraço e estima

Eddy