sábado, agosto 26, 2006

ORIGINALIDADES

Originalidade e inovacao, sempre foram dois temas que tenho defendido, desde que me conheco como homem. Isto tem muito que ver com professores (alguns sem o serem literalmente) que tive e continuo a ter, pois estamos sempre a aprender (ou deviamos).

Vem isto a proposito de varias iniciativas, que tem sido realizadas por todo o pais, que de originalidade e inovacao tem pouco ou nada. Estou a referir as tao populares e badaladas "Feiras Medievais".

So na nossa Beira e creio que ainda estou a esquecer alguma, tivemos ou vamos te-las em: Belmonte, Linhares, Trancoso, Mangualde, Marialva, Almeida, etc etc.

Se e verdade que ate juntam gente e trazem algum desenvolvimento as localidades, tambem e verdade que por serem todas identicas, com o tempo as pessoas vao encher-se e passaram despercebidas.

O que eu gostava de ver, era, cada uma destas localidades, realizar eventos diferentes sem copiar os vizinhos. Iriamos com isto criar eventos que nos identificassem e fossem como que um cartaz para cada localidade.

Fazem-me estas "Feiras Medievais" lembrar, as Feiras-Festas do Queijo da Serra, que se iniciaram na decada de setenta do seculo passado, muitas delas em localidades em que o Queijo da Serra ate ai, nao tinha grande significado e que de tao corriqueiras tendem a desaparecer.

Vamos senhores beiroes fazer a diferenca, deixe-mos de copiar-nos uns aos outros e, faca-mos algo original.

14 comentários:

OvelhaNegra disse...

Concordo contigo!
Mas sabes que é mais fácil copiar, que ser inovador e arrojado.
Sempre assim foi.
Ser original, dá que pensar.Risos.
Um beijo.
Bom fim-de-semana

Bel disse...

O conceito inovação é demasiado abrangente. A inovação é algo que tende a ser sempre muito temido e contestado pela maioria, principalmente com o medo do fracasso. São as desigadas resistências à inovação.
Quando no texto usas a palavra inovação associada a uma feira mediaval, de caracteristicas históricas, que pessoalmente tanto aprecio, corres o risco de ser mal interpretado.
Desculpa me o reparo mas pessoalmente acho que o termo originalidade se aplicaria melhor ao que me parece sugerir o texto.
Relativamente à organização das feiras mediavais e pelo facto de, em muitas ser a mesma equipa organizadora que esta por trás, são sem dúvida muito semelhantes e pouco originais. Um pouco de arrojo e originalidade seriam sem dúvida alguma aliciante para quem aprecia este género de feiras e sobretudo um atractivo para que as pessoas voltei no ano seguinte.
Aliás um dos motivos porque quase todos os anos me desloco a Óbidos é mesmo esse, de ano para ano, há sempre novidade e formas diferentes de apresentar. Mas também tenho consciência da diferença de verbas que existem para as feiras nas diferentes localidades.
Fica os votos que a próxima feira que haja nas aldeias beirãs, seja original e não me estou a referir a marca do presunto claro.
Desculpa o comentário tão extenso e votos de um bom fim de semana.

omocho disse...

O problema é que as feiras não estão normalmente ligadas à realidade local. São feitas por grupos contratados que vão fazer umas habilidades circenses. São de todo o país e mesmo do estrangeiro. Neste momento é um bom negócio.
Por outro lado é a questão do rigor histórico. Vende-se de tudo e mostra-se tudo . Só falta vender antiguidades "made em china 2006"

Frederico disse...

:-)

Já leu o meu post sobre o crescimento do emprego?

Para quem pensava que emprego certo é em Lisboa, dá para pensar!

azurara disse...

Não deixa de ter razão, meu caro. Isto funciona um pouco na lógica da "moda". Mas não pense que esta lógica apenas abrange as feiras medievais. Nada disso. Abrange a quase totalidade das iniciativas locais. O meu amigo até já deu o exemplo das feiras do queijo. Há-as por todo o lado, mesmo por aqueles onde o queijo sempre foi escasso. Mangualde deve ser dos poucos concelhos da Beira que não tem uma feira do queijo. Como as feiras do vinho. Onde é que as não há?
E se for uma exposição de gastronomia e artesanato? É certo e sabido que vão aparecer stands de todas as regiões do País...
A questão é:
Porque é que é assim?
Simples. Porque ninguém quer fazer uma "festinha", ou uma "feirinha" ou uma "exposiçãozinha", que era o que se faria se apenas se contasse com os artesãos, produtos e produtos locais. O que importa é a dimensão e não a autenticidade.
Cada vez mais somos um país com a mania das "mega" coisas.
Infelizmente...

al cardoso disse...

Caro Azurara:

Bem Haja pelo comentario. De facto o maior problema que nos temos e ter vergonha de ser de um pequeno pais.
Entao para compensar, toca a fazer coisas em grande (nem que seja so em gastos de dinheiro: CCBs, Expos, Campeonatos Europeus, Casas das musicas, etc, etc.
Outra coisa que tem obstado a um desenvolvimento sustentado principalmente para as nossas terras da Beira, e a desuniao entre as autarquias, e que cada um so pensa no seu umbigo, se Celorico tem Fornos tambem tem que ter, se Gouveia faz Mangualde tambem nao pode ficar a traz, etc, etc.
Quando sera que deixamos de pensar so na nossa paroquia e comecamos a pensar mais global.
Vou-lhe apresentar uns exemplos, mas poderia dar mais; Com a revolucao que se esta a operar na educacao basica e ate na saude, porque nao se olha para o bem do cidadao e se decide eliminar certas barreiras concelhias.
Nao ficariam melhor servidas as populacoes por exemplo da Varzea de Tavares, e Sao Joao da Fresta, do concelho de Mangualde, ou Antas e Matela do de Penalva, ou ainda Vila Franca da Serra de Gouveia se recebessem os servicos em Fornos que esta tao perto, em vez de recebe-los nas respectivas sedes concelhias?
Isto ate se aplicaria tambem para a justica, seguranca social etc.
Que sentido faz por exemplo falar-se em encerrar o tribunal de Fornos. (construido a 8 anos) Nao faria mais sentido deslocar para ele alguns processos de comarcas vizinhas maiores e assim servir melhor os cidadaos?
Foram so pequenos exemplos, e para isso nem sequer seria necessario uma reorganizacao administrativa nem judicial, preciso era usar o bom senco e tentar servir melhor o cidadao.

CMatos disse...

Concordo com o que acabou de dizer, mas eu acrescentava isto:
Não existem "lutas" só entre comarcas vizinhas, existem também, e mais aguerridas ainda "lutas" dentro das comarcas. Lutas políticas e politiqueiras, porque a oposição estará sempre contra tudo o que de bom o "outro lado" fizer, nem que seja uma "originalidade". E estas "guerrinhas" de quem, como diz, "só olha para o seu humbiguinho" faz parar muitas iniciativas que até poderiam ter pernas para andar.
E isto, esteja quem estiver na oposição e no poder, é indiferente.
Vou dar um exemplo: Veja o caso de Mangualde, que foi Pioneira no caso do Campeonato de Futsal Outdor, poderia ter vindo para ficar, tornando-se um marco desportivo da região... mas não, a polémica foi tanta, que os organizadores tiveram de "levantar voo". Outro era eu, se enquanto organizador e impulsionador de um evento, fosse mal tratado, desprestigiado e desacreditado, dinheiro nenhum me faria voltar a tentar 2ª vez.
E assim se vai vivendo!

Abraço

al cardoso disse...

Caro Matos:

Infelizmente eu tambem poderia apresentar alguns exemplos de dentro da nossa "comarca", que por ser muito mais pequena e porque portanto toda a gente se conhece, se calhar ate existem muitas mais, e, mal disfarcadas invejinhas.

Tambem e verdade que as oposicoes deviam e deveriam, ser sempre construtivas, com isso ganhariam todos e far-se-ia muito mais com menos recursos, mas essa e uma outra estoria.

Um abraco serrano.

O Micróbio II disse...

Vou apresentar esta tua posição a um amigo meu que esteve na organização da Feira de Trancoso... vou-me fartar de gozar... :-)

Reimouro disse...

Infelizmente o que se nota pelos nossos municípios fora é falta de imaginação e ambição.
Imaginação, de quem tem que organizar o evento e mostra sempre mais do mesmo...
Ambição, por parte dos nossos autarcas que não estão muito virados(€) para determinadas actividades (por não retribuirem grande número de votos...).
Concordo que pela repetição comecem a ser fastidiosas.
Aguardemos que a evolução dos tempos nos traga autarcas com mais rasgo.

azurara disse...

Tem toda a razão. As autarquias nunca querem ficar umas atrás das outras, mesmo que o que esteja em discussão seja coisa fútil e desnecessária. As festas e feiras são meros exemplos, mas há muitos mais.
Mas não se pense que este complexo apenas afecta as autarquias. Nada disso. Veja o caso das Cooperativas. Se uma investiu em cubas de axo inox, as dos concelhos limítrofes não podem ficar atrás. E lá vão elas, nem que seja para o abismo do endividamento.
E não só. Repare-se no caso das associações culturais. Todas querem ter a sua sede própria, o seu festival próprio, a ... Mas não querem um amplo centro cultural onde todas pudessem cohabitar.
E o problema é sempre o mesmo: "TER".
Trata-se, a meu ver, de um problema de cultura que radica na nossa pequenez, enquanto país, e no nosso desenvolvimento, que foi muito recente e muito rápido. Não tivémos tempo de nos ir habituando a novos paradigmas próprios de sociedades desenvolvidas, como seja o caso da vivência comunitária, da partilha e da rentabilização dos recursos.

Claro que também existem outros factores, entre os quais avultam os "interesses pessoais"...

JL disse...

No essencial concordo com o que fica transmitido na opinião do meu amigo Azurara.

danisiinha disse...

bem desculpe-me por invadir seu blog... mas estou em busca das minha raizes , sou brasileira neta de um portugues e estou tentando descobrir de onde exatamente era meu avo que nem conheci ! e acabo de saber que ele era natural de fornos de algordes ! digitei no goggle e achei seu blog.... se puder me passar alguma informaçao desse lugar , onde fica extamente ... sei que posso estar incomodando , mas nao sei por onde começar ! obrigada Daniela.

tenho um blog se puder me respnder : www.daniilopes.blogspot.com

Anónimo disse...

Explicação deveras interessante nesta página, postagens como aqui está demonstram valor aos que analisar neste blogue :)
Escreve mais do teu blog, aos teus leitores.