sábado, setembro 30, 2006

E O INTERIOR???

Tenho assistido ultimamente a uma inaccao, que em nada abona deste governo em favor do interior.
Primeiro encerra a Rhode em Pinhel, mandando para o desemprego centenas de pessoas, a seguir o projecto da Iberdrola que iria criar centenas de trabalhos no distrito da Guarda e cancelado, agora e a Jonhson Controls, que vai mandar para o desemprego cerca de mil trabalhadores, no distrito de Viseu e Portalegre.

Com tudo isto, nao vejo da parte do governo nenhuma accao positiva, para inverter esta situacao. No caso destes ultimos encerramentos nem sequer tinham conhecimento, entretanto muito se preocuparam com a Auto Europa e General Motors. Vejo tambem, que todos os investimentos previstos ultimamente, sao para o litoral ja em si superpovoado. Sera que o interior desertificado nao merece nenhum interesse por parte deste governo?

Todos sabemos que e na faixa litoral, que se encontra a maioria dos votos, com os quais esperam ganhar as proximas eleicoes, mas agora que temos boas ligacoes nao era tempo de haver alguma accao positiva em favor destas terras ha tanto tempo abandonadas?

Ou sera, que se fizeram as novas auto-estradas, para que os ainda por ca teimam em viver, possam mais rapidamente partir para o litoral, ou para o resto da Europa?

10 comentários:

Jofre Alves disse...

Passei para apreciar esta página agradável pela sua estética finíssima e apreciável, que me atrai pela sua qualidade, e desejar bom fim-de-semana. Até breve.

Tozé Franco disse...

Às vezes também penso que a construção da auto-estradas só serve para os produtos importados aqui chegarem mais depressa, vindos de Espanha e de além-Pirenéus. Com a chegada do comboio, no século XIX, também se assistiu a um aumento do êxodo rural.
O Público de hoje traz um estudo curioso sobre a competitividade das cidades portuguesas e curiosamente em 1º lugar aparece Évora, em 2º Lisboa e em 3º Coimbra. Para surpresa de todos o Porto está em último. O 1º lugar de Évora e outras cidades do interior bem classificadas, fazem-nos pensar que ainda há esperança.
Um abraço.

ceolino disse...

É verdade, acredito que as autoestradas construidas apenas sirvam para abrir caminho a mais emigração.
Infelizmente nunca nenhum Governo ante ou pós 25 de Abril teve a coragem de admitir que o investimento na faixa litorar era o mais produtivo a nivel de votos. É aqui que eles conseguem ser eleitos.
do ponto de vista de um leigo, julgo que a aposta no investimento e desenvolvimento interior será sempre positivo. Basta reflectir e ver que nenhuma cidade interior dista mais de 200 Km do litoral, e que ao mesmo tempo estão muito proximo do unico País que faz fronteira com portugal, com todo o potencial de mercado e investimento que gera.
Mas, o mais importante e como colorário de tudo isto é haver governantes,e seu séquito, que da visita oficial a Espanha apenas troxeram a bonita noticia do futuro nascimento de mais um bébé de ouro.... e da oferta de um GPS ...

antonio disse...

Sou da sua opinião, infelizmente as auto-estradas, servem simplesmente para importações.
Portugal está cada vez mais dependente não só da vizinha Espanha, como de outros países da Europa, à qual parece que não pertencemos,a não ser para receber os fundos da CEE que tão mal aplicados foram e continuam a ser.
Enfim, incompetência e corrupção é nisso que Portugal é bom!

O Micróbio II disse...

Eu não espero milagres... estou na Guarda há 5 anos e continuo feliz e contente, usufruindo, claro está, de todos os benefícios de estar perto da fronteira!

mao morto disse...

Então agora "queixamo-nos" que as auto-estradas servem para isto e para aquilo? Agora que estão concluídas - e sem portagens! "De contentes nos dói um dente"?

A questão da interioridade também tem, a meu ver, algo de "imagético". A maioria das pessoas (do interior e do litoral) não se apercebe que a qualidade de vida não está directamente relacionada com a densidade populacional. Se calhar é por isso que os "Shoppings" das cidades médias registam as enchentes que se conhecem, ao passo que os estrangeiros (sobretudo alemães e holandeses) que vêm morar para o interior português são tidos como "alucinados" ou "hippies" ou coisa que o valha. Há uma certa inferiorização do próprio conceito de interioridade. E assiste-se actualmente a um crescimento das "cidades médias" também no interior, tanto demográfico como em termos de valências; este crescimento é feito à custa das áreas rurais deprimidas: a população fixa-se nas "cidades médias" - e as aspas justificam-se aqui plenamente, e também nas pequenas cidades (ou o que eu chamo de cidades-vila).

al cardoso disse...

Caro Lingua Morta:

Sim a tendencia e para uma concentracao urbana cada vez maior nas cidades medias e ate nas cidades/vila, como muito bem assinalou.
O que custa e ver vilas e pequenas cidades que tanto investiram na melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes (e muitas delas ja tem essa qualidade de vida)e por falta de oportunidades de trabalho veram essas mesmas regalias nao serem usadas por falta de utentes.
Em muitos casos, e falta de empreendorismo dos autarcas, mas na maioria sao faltas de incentivos governamentais, para a fixacao de empresas no interior.

Frederico disse...

Caro Albino,
A meu ver, e como tenho repetido várias vezes, a solução passa pela conversão de trabalhadores. Quero com isto dizer que é expectavel ver morrer a indústria, que perde postos de trabalho diariamente, e ver nascer novas unidades de serviços.
E esta é a revolução: Temos que preparar mão de obra para as novas necessidades de mercado, como é o caso do exemplo repetido até à exaustão - os Call Centers - única actividade sem desemprego.

Um forte abraço

Frederico disse...

Ao ler os diversos comentários deste post verifiquei um encontro de comentadores, todos pelo desenvolvimento do interior - "Inclusão", que não é frequente.

Só posso felicitar o Albino pelo mérito de trazer até este espaço gente tão interessante.


Um abraço


PS: Volto a insistir que vamos ter que abrir um forum sobre "Exôdo Urbano"!

Sem Quorum disse...

Caro Al Cardoso!
Infelizmente, as políticas economicistas da direita política cortam nos mais desfavorecidos, tirando-lhes maternidades, urgências, escolas, num desinvestimento do verdadeiro capital - o humano! - em que se deveria apostar. A agravar isso está o capitalismo selvagem e promotor das deslocalizações que têm o faro de mão-de-obra barata, logo que expire o prazo de benefícios concedidos pelo Estado à instalação de empresas. O que vale ao interior ainda é o ser passagem obrigatória para ir a Espanha!
Abraço solidário!
ALM