segunda-feira, dezembro 31, 2012
Um bom 2013, para todos!
Que a estrela ilumine o coração de todos os homens, para que neste 2013, só possam produzir coisas boas!
Eu inicio-o desejando sinceramente aos meus leitores, que a saúde não vos falte, que sempre tenham o "pão de cada dia", e que as coisas belas o sejam cada vez mais, pois são elas que trazem a verdadeira felicidade.
Neste inicio de um novo ano, aqui vos deixo algumas quadras que se cantavam ao pedir as "janeiras" na minha "Terra de Algodres", no primeiro dia do ano:
Levante-se dai senhora,
Desse banquinho de prata.
Venha-nos dar a janeira.
Que esta um frio que mata.
Estas casas são bem altas,
Forradas de papelão.
O senhor que mora nelas,
E um grande cidadão.
Levante-se dai senhora,
Desse banco de cortiça.
Venha-nos dar a janeira.
Ou de carne ou de chouriça.
Viva la senhora (......)
A mantilha bem lhe fica.
Quando vai para a igreja,
Bem se vê e gente rica.
Que e aquilo, que e aquilo,
Que tormenta do sobrado.
E o menino desta casa,
Com o sapato doirado.
A Janeira que nos deste,
D*us será o pagador.
Queira D*us que de hoje a um ano,
Nos façam o mesmo favor.
quarta-feira, dezembro 19, 2012
"Jesus is the reason, for this season"!
Porque realmente, queiramos ou não, o Natal, embora tivesse sido colocado ao redor das festas pagas do solstício, (ninguém sabe ao certo qual foi o dia do nascimento de Emanuel) de facto a razão única de o celebrar-mos, foi porque a cerca de dois mil anos, (também ninguém ao certo sabe quantos) nasceu JESUS, numa lapa, ou num estábulo, (ate isto não e certo)!
E porque assim e, quero desejar aos meus amigos leitores, UM SANTO E FELIZ NATAL, com saúde e paz principalmente, mas também com os bens essenciais e necessários.
A todos, mas especialmente aos meus conterrâneos fornoalgodrenses, um abraço de BOAS FESTAS!
quarta-feira, dezembro 05, 2012
Fornos ainda sem Algodres!
Neste mapa de estradas, feito em 1808, aqui vemos algumas terras do que veio a ser o Municipio de Fornos de Algodres, embora nao devidamente localizadas!
E interessante que Fornos ai esta representada, na margem esquerda do Rio Mondego e, Juncais era identificado por "Juncal"!
E tambem de algum interesse ver, que aparecia ai uma estrada, que vinha de Forninhos por Antas, Maceira, aparentemente tambem por Figueiro e, atravessava o Mondego pelo que suponho ser a "Ponte da Lavandeira", entroncando na estrada que vindo de Trancoso para Celorico, entre esta localidade e Frontelheiro (Forno Telheiro).
E interessante que Fornos ai esta representada, na margem esquerda do Rio Mondego e, Juncais era identificado por "Juncal"!
E tambem de algum interesse ver, que aparecia ai uma estrada, que vinha de Forninhos por Antas, Maceira, aparentemente tambem por Figueiro e, atravessava o Mondego pelo que suponho ser a "Ponte da Lavandeira", entroncando na estrada que vindo de Trancoso para Celorico, entre esta localidade e Frontelheiro (Forno Telheiro).
domingo, novembro 25, 2012
9+3; Assim Vai Ser, o Municipio "d'Algodres"!
9 mais 3 significa: nove freguesias e três "uniões de freguesias"!
Não creio que de Lisboa discordem, e assim será, o futuro Município de Fornos de Algodres!
Algodres,
Casal Vasco,
Figueiró da Granja,
Fornos de Algodres,
Infias,
Maceira,
Matança,
Muxagata,
Queiriz,
União de Freguesias de Cortiço e Vila Chã,
União de Freguesias de Fuinhas e Sobral Pichorro,
União de Freguesias de Juncais, Vila Ruiva e Vila Soeiro do Chão.
Esta "reorganização", que foi feita para agradar ao "triunvirato", quanto a mim não tem grande sentido, porque, ou se deixava estar as coisas como estavam, ou então, devia haver uma verdadeira reorganização, em que houvesse um agregamento maior, criando autarquias já com outra grandeza!
Dentro deste meu pensamento, creio que a ultima destas "uniões", e ate, a que realmente faz algum sentido!
Mas em meu humilde entender e, isso ate era proposto na lei, uma verdadeira reorganização, devia ser mais abrangente, em que se incluíssem ou destacassem freguesias, de uns municípios para outros, dando assim aos habitantes, serviços melhores e mais perto!
Eu diria que o elefante pariu um rato, continuamos a fazer de conta, num pais que cada vez e mais desigual!
quarta-feira, novembro 14, 2012
" Por Fornos" Proposta Para e Agregacao de Freguesias!
Este e o mapa que vejo propor, para a reorganização de freguesias, no Município de Fornos de Algodres! Que acham?
sábado, novembro 03, 2012
II Grande Circuito, "Por Terras do Deus Mercvri(o)" ETC.
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| A lapide ao "DEO MERCVRI", existente na fachada da Igreja de S. Pedro, paroquial de Infias |
Aqui tem o programa:
Todos estão convidados; venham celebrar o S. Martinho, na "Terra de Algodres", pois para alem deste evento existem outros relacionados, e aproveitem a comer a castanha da nossa Beira mais alta.
PS: Não se esqueçam de trazer a vossa maquina fotográfica, existem prémios de, "Queijo Serra da Estrela" para as melhores fotografias!
Também neste Domingo se vai realizar, o Décimo Terceiro Festival de Sopas da Serra da Estrela, ai podem saborear varias sopas de Fornos de Algodres.
terça-feira, outubro 16, 2012
E o Final para o Tribunal de Fornos!
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| O nosso defunto tribunal |
De acordo com as ultimas noticias, Fornos de Algodres vai ficar sem nenhum serviço de justiça!
De todos os tribunais com morte anunciada, no defunto Distrito da Guarda, o tribunal de Fornos nem um balcão de justiça merece. Voltou-se a traz com Foz Coa que continua com tribunal, criou-se um balcão de justiça para a Mêda e para o Sabugal, mas para Fornos de Algodres, nem isso.
E este o resultado de uma terra sem gente, sem forca (esta esta nos votos) e aparentemente sem grande futuro!
Se isto doí a alguém, e a mim, que queria para a minha terra algo melhor que isto!
segunda-feira, outubro 15, 2012
Quinta de Nossa Senhora das Gracas?!
Este postal que datara do primeiro quartel do século XX, uma ediccao da Câmara Municipal, refere a Mata da Quinta Nossa Senhora das Graças!
Provavelmente já pouca ou nenhuma gente existe desse tempo, e se sim, não vem aos blogues ou ao facebook, mas será que alguém passou essa informação, e se sabe onde e esta quinta?
Será que e a quinta junto a capela de Nossa Senhora da Graça?
Ou será que e a Mata Municipal e nessa altura era assim intitulada?
quinta-feira, outubro 04, 2012
Viva o 5 de Outubro, DE 1143!
Nesta data, em que os "republicanos" celebram a "republica portuguesa", celebramos nos os Patriotas com "P" maiusculo, o RECONHECIMENTO DA INDEPENDENCIA DE PORTUGAL!
Foi neste mesmo dia, do ano de 1143, ha portanto 896 ANOS, que o Rei de Leao reconheceu D. Afonso Henriques como nosso rei, e PORTUGAL, como reino independente!
Por isso com muito orgulho grito: VIVA PORTUGAL, abaixo, a cada vez mais "triste republica portuguesa"!
Foi neste mesmo dia, do ano de 1143, ha portanto 896 ANOS, que o Rei de Leao reconheceu D. Afonso Henriques como nosso rei, e PORTUGAL, como reino independente!
Por isso com muito orgulho grito: VIVA PORTUGAL, abaixo, a cada vez mais "triste republica portuguesa"!
domingo, setembro 30, 2012
quinta-feira, setembro 20, 2012
segunda-feira, setembro 10, 2012
15 e 16, III Rota das Formigas e Santa Eufemia!
Este próximo Sábado e incluída nas "Jornadas Europeias do Património, vai-se realizar-se no Município de Fornos de Algodres, a III Rota das Formigas, (caminhada nocturna).
Terá o seu inicio em Casal do Monte, terra que na idade media, foi pertença da "Ordem Hospitalaria", onde se encontra uma capela romano-gótica e um Pelourinho manuelino. Passara por Queiriz, terra com vários achados romanos e com um bela igreja de fundação medieval. Em direcção a emblemática "Fraga da Pena" sitio arqueológico de interesse da idade do bronze.
Esta caminhada terá a presença e a orientação, do Dr. Valera, o arqueólogo que investigou e documentou este belo património arqueológico!
Preparem-se para viver algo diferente, mas marcante, que todos quantos a estes eventos já assistiram, recomendam vivamente.
No Domingo dia 16, realiza-se a tradicional e anual feira e romaria de Verão, da Santa Eufémia, junto a povoação da Fonte Fria, na freguesia e antigo concelho da Matança.
Como e num Domingo será provavelmente bastante mais concorrida, no habitual desta romaria, não deixem de assistir a chamada "romaria das ovelhas"!
A capela da Santa Eufémia, e dos edifícios religiosos do município, o que melhor conserva a sua traça original, para alem dos portais romano-goticos e interessante a cachorrada com formas morfo-zoológicas na sua capela mor. Situada num sitio ermo e um local a visitar, em dia de romaria ou não!
PS: A fotografia da romaria, foi adquirida no blogue: http://onovoblogdosforninhenses.blogspot.com bem hajam.
Terá o seu inicio em Casal do Monte, terra que na idade media, foi pertença da "Ordem Hospitalaria", onde se encontra uma capela romano-gótica e um Pelourinho manuelino. Passara por Queiriz, terra com vários achados romanos e com um bela igreja de fundação medieval. Em direcção a emblemática "Fraga da Pena" sitio arqueológico de interesse da idade do bronze.
Esta caminhada terá a presença e a orientação, do Dr. Valera, o arqueólogo que investigou e documentou este belo património arqueológico!
Preparem-se para viver algo diferente, mas marcante, que todos quantos a estes eventos já assistiram, recomendam vivamente.
No Domingo dia 16, realiza-se a tradicional e anual feira e romaria de Verão, da Santa Eufémia, junto a povoação da Fonte Fria, na freguesia e antigo concelho da Matança.
Como e num Domingo será provavelmente bastante mais concorrida, no habitual desta romaria, não deixem de assistir a chamada "romaria das ovelhas"!
A capela da Santa Eufémia, e dos edifícios religiosos do município, o que melhor conserva a sua traça original, para alem dos portais romano-goticos e interessante a cachorrada com formas morfo-zoológicas na sua capela mor. Situada num sitio ermo e um local a visitar, em dia de romaria ou não!
PS: A fotografia da romaria, foi adquirida no blogue: http://onovoblogdosforninhenses.blogspot.com bem hajam.
quarta-feira, setembro 05, 2012
Uma Grande Alegria: Todos os Comboios "Intercidades" Ja Param em Fornos! !
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| A povoação de Fornos Gare e a estacao! |
A partir do dia 16 deste mês de Setembro, todos os comboios "Intercidades", vão parar na estacao de Fornos de Algodres!
Todos os dias haverá 3 comboios em cada direcção.
Já não haverá mais desculpas, de não poderem vir ate a nossa terra por causa das portagens, venham de comboio, poupam dinheiro e não poluem tanto o ambiente!
Parabéns a "Câmara" da minha terra!
A estacao de Fornos de Algodres, serve a totalidade do concelho e, também os de Aguiar da Beira e Gouveia, bem assim varias freguesias de Celorico da Beira, Mangualde e Penalva do Castelo!
quarta-feira, agosto 29, 2012
A Nossa "Romaria Mariana de Verao"!
No próximo dia 8 de Setembro, Sábado, vai realizar-se a romaria de verão, a Nossa Senhora dos Milagres!
Uma bonita ermida, situada o sitio da "Coutada", junto ao limite da freguesia de Figueiró da Granja, mas ainda na freguesia da Muxagata, e local de devoção e ao mesmo tempo de convívio, das gentes do município de Fornos de Algodres, ou pelo menos da sua parte mais chã.
Que ricas merendas se comiam e, creio que ainda comem, a sombra dos pinheiros junto ao "nichinho" onde a Senhora apareceu!
Com agradecimento ao meu amigo Francisco Pina, aqui lhes mostro uma fotografia desta romaria dos princípios da década de 70. Nesses tempos ainda paravam os comboios no apeadeiro da Muxagata neste dia, só por causa desta romaria!
Mais informo que a missa solene seguida da procissao, sera entre as 11:00 e as 12:00 horas!
Uma bonita ermida, situada o sitio da "Coutada", junto ao limite da freguesia de Figueiró da Granja, mas ainda na freguesia da Muxagata, e local de devoção e ao mesmo tempo de convívio, das gentes do município de Fornos de Algodres, ou pelo menos da sua parte mais chã.
Que ricas merendas se comiam e, creio que ainda comem, a sombra dos pinheiros junto ao "nichinho" onde a Senhora apareceu!
Com agradecimento ao meu amigo Francisco Pina, aqui lhes mostro uma fotografia desta romaria dos princípios da década de 70. Nesses tempos ainda paravam os comboios no apeadeiro da Muxagata neste dia, só por causa desta romaria!
Mais informo que a missa solene seguida da procissao, sera entre as 11:00 e as 12:00 horas!
segunda-feira, agosto 20, 2012
"Festas do Povo (ou do Campo)" 25, 26 e 27, em Figueiro da Granja!
Sempre no ultimo fim de semana de Agosto, mais uma vez se vão realizar, as já tradicionais "Festas do Campo", em Figueiró da Granja.
Terra dos meus bisavós e e será sempre, uma vila que me esta no coração, ate porque foi ai o meu ultimo trabalho antes de emigrar.
A quantos andem a passear pela Beira, deixo-vos um conselho, venham ate ao Município de Fornos de Algodres e aproveitem a divertir-se nas festas de Figueiró da Granja, uma antiga vila que tem muito que admirar!
Aqui vos deixo o cartaz:
Terra dos meus bisavós e e será sempre, uma vila que me esta no coração, ate porque foi ai o meu ultimo trabalho antes de emigrar.
A quantos andem a passear pela Beira, deixo-vos um conselho, venham ate ao Município de Fornos de Algodres e aproveitem a divertir-se nas festas de Figueiró da Granja, uma antiga vila que tem muito que admirar!
Aqui vos deixo o cartaz:
quarta-feira, agosto 15, 2012
"Festas da Senhora da Graca", 2012!
As festas maiores do Municipio de Fornos de Algodres, sao este proximo fim de semana, eu que gosto de divulgar todas as coisas boas, que na minha querida terra acontecem, aqui vos deixo, o cartaz das "Festas da Nossa Senhora da Graça":
Sejam todos bem vindos a "Terra d'Algodres", venham que vao gostar nas nossas particularidades!
Sejam todos bem vindos a "Terra d'Algodres", venham que vao gostar nas nossas particularidades!
segunda-feira, agosto 13, 2012
Senhora das Boas Novas rogai por nos!
Será amanha que na minha pequena aldeia, se celebrara a Virgem Maria, com o sugestivo titulo de Nossa Senhora das Boas Novas.
E uma festa singela e simples, como e singela e simples a gente da minha terra.
Vila Chã, que já teve entre os seus habitantes gente importante, ate a nível nacional, nesta altura e a mais pequena freguesia, do município de Fornos de Algodres, em risco de vir a perder a sua junta de freguesia!
Não e linda, a nossa igreja e a nossa padroeira?
"ORA PRO NO BIS MARIA"
domingo, agosto 05, 2012
Festas em Algodres, Nossa Senhora do Campo e Santa Maria Maior
Neste próximo fim de semana (dias 11 e 12) vão realizar-se as festas, na vila que deu o nome a toda a esta sub-região: "Algodres"!
Algodres teve carta de povoação ainda antes de Portugal ser independente, concedida por D. Soeiro Mendes, foral esse que foi renovado por D. Sancho I, por D. Dinis e por D. Manuel I.
O altaneiro e belo Pelourinho da época manuelina, encontra-se na sua praça, junto a Igreja Matriz e a da Misericordia. Aqui se pode ver como ele esta muito bem fotografado, em princípios do século XX.
Segundo informacoes ultimas, a festa de cariz religioso, em honra de Santa Maria Maior e Nossa Senhora do Campo, realiza-se como habitualmente no dia 15 de Agosto, feriado nacional.
Algodres teve carta de povoação ainda antes de Portugal ser independente, concedida por D. Soeiro Mendes, foral esse que foi renovado por D. Sancho I, por D. Dinis e por D. Manuel I.
O altaneiro e belo Pelourinho da época manuelina, encontra-se na sua praça, junto a Igreja Matriz e a da Misericordia. Aqui se pode ver como ele esta muito bem fotografado, em princípios do século XX.
Segundo informacoes ultimas, a festa de cariz religioso, em honra de Santa Maria Maior e Nossa Senhora do Campo, realiza-se como habitualmente no dia 15 de Agosto, feriado nacional.
quarta-feira, julho 11, 2012
A Lenda da "Quinta do Inferno" e esta Sexta Feira 13
Creio que uma grande parte dos meus conterrâneos, sabe a lenda da Quinta do Inferno, mas no caso de a não saberem, aqui a deixo embora contada com as minhas palavras, também a algum leitor que por aqui passe e que não seja da nossa terra:
Conta-se que um homem voltando de noite para sua casa, deu conta de um movimento desusado junto a uma fonte, ou poço, num local da serra da Barroca. Aproximando-se deu-se conta que era uma reunião de diabos, com toda a aparência de seres humanos, com a única diferença de que tinham cornos na testa.
Aproximando-se um pouco mais para ver se ouvia o que diziam, terá talvez feito algum barulho, os diabos deram conta dele e, começaram a correr a ver se o agarraram.
O pobre do homem desata a correr com quantas forcas tinha, para ver se lhes conseguia fugir. Os diabos estavam quase a agarra-lo, quando este chegou junto a igreja de Algodres e ia já a deitar as mãos a corda do sino, para o tocar a rebate e assim poder ter ajuda. Nesse momento e ainda antes dele tocar o sino e, os diabos lhe deitarem a mão, cantou um "galo preto romano", os diabos assim que ouviram o canto do galo, abandonaram o pobre homem e ele salvou-se, não pelo facto dos diabos verem a cruz da igreja e do sino, mas pelo facto do canto do galo preto!
Desde essa altura, o sitio da reunião dos diabos, ainda hoje tem o nome de "Quinta do Inferno" e, a vila de Algodres, ficou conhecida pela terra onde o "Diabo" tem o seu património!
Vem esta lenda a propósito, de um evento que se vai realizar no "Palace Hotel S. Miguel" situado no município de Fornos de Algodres, com o cartaz que vemos acima!
Para alem do "jantar infernal", podem apreciar as lindas cantigas regionais, pela Casa do Pessoal da Câmara Municipal deste concelho de Fornos de Algodres!
Conta-se que um homem voltando de noite para sua casa, deu conta de um movimento desusado junto a uma fonte, ou poço, num local da serra da Barroca. Aproximando-se deu-se conta que era uma reunião de diabos, com toda a aparência de seres humanos, com a única diferença de que tinham cornos na testa.
Aproximando-se um pouco mais para ver se ouvia o que diziam, terá talvez feito algum barulho, os diabos deram conta dele e, começaram a correr a ver se o agarraram.
O pobre do homem desata a correr com quantas forcas tinha, para ver se lhes conseguia fugir. Os diabos estavam quase a agarra-lo, quando este chegou junto a igreja de Algodres e ia já a deitar as mãos a corda do sino, para o tocar a rebate e assim poder ter ajuda. Nesse momento e ainda antes dele tocar o sino e, os diabos lhe deitarem a mão, cantou um "galo preto romano", os diabos assim que ouviram o canto do galo, abandonaram o pobre homem e ele salvou-se, não pelo facto dos diabos verem a cruz da igreja e do sino, mas pelo facto do canto do galo preto!
Desde essa altura, o sitio da reunião dos diabos, ainda hoje tem o nome de "Quinta do Inferno" e, a vila de Algodres, ficou conhecida pela terra onde o "Diabo" tem o seu património!
Vem esta lenda a propósito, de um evento que se vai realizar no "Palace Hotel S. Miguel" situado no município de Fornos de Algodres, com o cartaz que vemos acima!
Para alem do "jantar infernal", podem apreciar as lindas cantigas regionais, pela Casa do Pessoal da Câmara Municipal deste concelho de Fornos de Algodres!
domingo, junho 24, 2012
Fornos e Celorico, uma resenha historica e, a Extincao do Tribunal!
Muita gente nao sabe, nao querera saber, esta-se perfeitamente borrifando, cre que isto nao e nada importante e, entre essas pessoas estara provavelmente, a Senhora Ministra da Justica e a maior parte dos politicos lisboetas, que das realidades regionais nao sabem, nem querem, ou quereram saber!
A possivel e mais que provavel, extincao do tribunal de Fornos de Algodres, e a "agregacao" da sua area, ao de Celorico da Beira, vem levantar e, desenterrar rivalidades antigas, de centenas ou ate milhares de anos, entre os povos do actual concelho de Fornos e os de Celorico.
Estas rivalidades, muitas vezes justificadas ou nao, poderam ter origens antes da fundacao da nossa nacionalidade, mas encontram-se documentadas muito bem, principalmente e sempre, desde a nossa idade media!
Nesta "guerra" aparecem por vezes uma ajuda de Algodres e Fornos, a Celorico, como a que aconteceu durante e reinado de D. Sancho I, quando em 1189 o alcaide de Celorico se encontrava cercado pelo exercito do Rei de Leao. E foi a ajuda do alcaide de Linhares a seu irmao e, dos homens de armas dos concelhos de Algodres e Fornos, de Trancoso e Guarda, que na batalha da Penhadeira ou Velosa, derrotaram os "leoneses" salvando assim Celorico, que esteve cercado bastante tempo.
Acontece que tanto quanto sei ,esta ajuda nunca mais foi reciproca, pois ja em 1258, e isto sabe-se pelas inquiricoes de D. Afonso III, que o alcaide de Celorico: Fernao Rodrigues Pacheco, ja tinha usurpado pelo menos a aldeia da Muxagata e outras terras, que pertenciam ao concelho reguengo de Algodres.
Poucos anos mais parte, em 1277, estes mesmos Pachecos lutaram contra os Soveral seus "irmaos", que estavam ao lado dos Tavares, na lide de Fornos de Algodres, onde mataram o Estevao Soares Soveral, que era do seu sangue!
Nunca mais, nenhuma das terras do que e hoje o Municipio de Fornos deAlgodres, esteve debaixo da alcada de Celorico durante a primeira dinastia, e os nossos reis fizeram valer a nossa independencia e direitos, e concederam: D. Afonso Henriques a carta de Couto a Figueiro da Granja em 1170, D. Sancho I foral a Algodres em 1200, D. Afonso III foral a Matanca em 1258, D. Dinis forais a Fornos em 1310 e a Algodres em 1311.
Todas estas terras que foram concelhos medievais, sempre foram terras independentes e, onde so o rei tinha jurisdicao!
Ora tudo isto comecou a mudar com o Rei D. Fernando, quando em 1346, concedeu o senhorio de Algodres e Fornos aos Caceres, que tinham fugido de Castela, mas com as varias guerras que este rei manteve com Castela e, de acordo com as mudancas assim iam acontecendo na politica do rei, que foi desastrosa, porque as terras que ele tinha dado aos Caceres uns anos antes, foram mais tarde doadas a uma filha natural que ele teve; Dona Isabel de Portugal, que foi casada com o conde de Noronha e Guigon, que tambem era filho ilegitimo do rei de Leao e Castela. (veremos adiante a ligacao destes com Fornos)
Com as lutas da independencia do seculo XIV, que o D. Joao Mestre de Avis teve com D. Joao de Castela, embora se tenha dado uma sangrenta batalha, em Santa Eufemia da Matanca, e outra em S. Marcos de Trancoso, vencidas pelos portugueses. Aparentemente devido a ligacao dos condes de Guigon, Senhores de Viseu, Algodres. Fornos, Linhares e Celorico, ao rei de Castela, contra o Mestre, ja nessa altura rei D. Joao I e, porque provavelmente os soldados destas terras teram alinhado com o rei de Castela. O rei D. Joao I, extinguiu os antigos concelhos Algodres, Fornos, Infias, Matanca, aos dois primeiros juntou-os a Celorico, Infias a Viseu, e a Matanca a Trancoso.
Acontece que, como seria natural, a nossa gente nao era tratada devidamente, pelos concelhos a que foram agregadas, e devido a lutas politicas e ate a algumas mais formais, conseguiram todas as terras de Algodres, reaver os seus direitos antigos, voltando a ser livres, a usarem as perrogativas que possuiam e, que os seus forais lhes concediam!
Mas se e verdade, que juridicamente as coisas continuaram como ate ai, e ate foram renovados por D. Manuel I, os forais antigos, tanto a Algodres, como a Fornos, Matanca e Figueiro da Granja. Ja no reinado de D. Duarte foi concedido o senhorio de Fornos aos Abreu, D. Afonso V (no governo do conde D. Pedro) concedeu-o aos Melo.
Mas as coisas so realmente comecaram a piorar para Fornos e Algodres quando D. Joao III, criou o Condado de Linhares para a Familia Noronha (descendentes directos dos condes de Guigon) e lhes deu os senhorios de Algodres e de Fornos.
Assim estiveram estas terras, durante todo o tempo da dinastia dos Felipes, que os condes de Linhares ajudaram a implantar, e foram tao seguidores dos espanhois, que ja depois da restauracao da independencia em 1640, (aclamada e comemorada festivamente pela familia Abreu e pelo clero e o povo de Fornos) estes mesmos Condes de Linhares, se envolveram numa conspiracao para matar D. Joao IV, o que lhes valeu a extincao do condado e confisco dos bens, pela parte do rei portugues e o premio do Ducado de Linhares, por parte do rei espanhol.
Rivalidades com Celorico existiram tambem no seculo XVI, quando foram fundadas as Misericordias. Existia na regiao a familia Cabral, descendentes dos Cabrais de Azurara (Mangualde) e Belmonte, que tinha ramos em Celorico e em Fornos. Ora uns destes Cabrais que tinham em Fornos a Capela de Na. Sa. da Saude (onde hoje existe a Igreja da Misericordia) fizeram varias doacoes, com a finalidade da fundacao da Misericordia de Fornos, mas a havia uma clausula com uma data limite e, se nao fosse fundada em Fornos, seria fundada em Celorico. Os de Celorico moveram todas as influencias, para que isso acontece-se, pois queriam funda-la nessa vila, felizmente isso nao aconteceu e, a pedido da camara, nobreza e povo, foi criada por alvara regio em 12 de Outubro de 1666, a Santa Casa da Misericordia de Fornos de Algodres. Um pouco mais tarde foi edificada a bonita igreja barroca da Misericordia, muito mais grandiosa e imponente, do que a da Misericordia de Celorico, fundada mais tarde, que e na realidade nao passa uma pequena capela!
Quando foi extinto o condado de Linhares, passaram as terras pertenca desses condes, (No nosso caso Algodres e Fornos) para a posse da Casa de Braganca em 1642 e, em 1654 para a Casa do Infantado, criada em favor dos segundos filhos dos reis, coisa que se manteve ate que durante a epoca liberal, foram extintos todos os senhorios, por decreto de 18 de Marco de 1834.
No entanto e embora as terras tivessem ficado debaixo do senhorio dos Infantes, continuavam a regular-se e e governar-se pelos seus forais e tinham as suas justicas independentes, sendo as camaras que pagavam os direitos aos Infantes, e era em Linhares onde estava a sede da Comarca ou "Correicao", ou "Ouvidoria" como se dizia nesse tempo.
Mas Linhares ia definhando aos poucos, comecando depois da expulsao dos judeus e, da instituicao da inquisicao, no seculo XVI, mas e principalmente a partir a restauracao da nossa independencia nacional, com a extincao do condado. Fornos era das vilas da comarca de Linhares a mais importante e com mais populacao, havendo ate muitas alturas em que o corregedor residia e despachava de Fornos de Algodres! Nem era de admirar isso, porque a localizacao era melhor e mais central e, o clima de Fornos era muito menos severo do que Linhares, que fica ja na serra, enquanto Fornos esta no vale do Mondego e, junto a uma rede viaria, ja importante durante a romanizacao!
O real problema para nos, comecou quando em 1836, foram extintos cerca de metade dos concelhos portugueses. Originalmente com a extincao de Penaverde, Fornos, Figueiro da Granja, Matanca, Infias, e Casal do Monte e a sua incorporacao em Algodres, foi uma medida acertada, mas logo no ano a seguir, novo decreto, passa a sede de concelho para Fornos e retira-lhe as freguesias de Penaverde, Forninhos e Dornelas!
Com este decreto nao so o concelho ficou mais pequeno, como a sua sede ficou descentralizada e numa ponta, o que nao fazia muito sentido, mas a maioria vence e neste caso isso aconteceu, porque como disse ja, desde o inicio da idade moderna, Fornos era a povoacao mais importante da comarca.
Quando estas modificacoes aconteceram, o Concelho D'Algodres, passou a estar incluido na comarca de Gouveia.
Entretanto foi tambem extinto o concelho de Linhares em 1855, e incorporadas as suas freguesias nos concelhos de Gouveia e Celorico da Beira, o que foi um erro historico, porque Linhares sempre teve muito mais ligacao a Fornos e a Algodres do que a Celorico e Gouveia!
Com estas mudancas administrativas, tambem houveram mudancas na justica, e entao foram criadas a relacoes de Lisboa e Porto, estando estas divididas em Distritos de Julgados, o nosso era o de Trancoso e em julgados de primeira instancia, o nosso em Fornos de Algodres.
Com a criacao das novas Comarcas em 1873, foi extinto o julgado de Fornos e incorporado na entao criada comarca de Celorico da Beira. E foi a partir dai que se reacenderam as nossas rivalidades antigas, porque ou por falta de influencia, ou desinteresse da nossa gente, nao foram respeitadas as origens comuns de Fornos e Linhares!
Mas as populacoes nao se calaram contra esta injustica e, passados dois anos com a nova reorganizacao judiciaria de 1875 e decreto de 18 de Novembro, foi criada uma comarca em Fornos de Algodres separada de Celorico, com dois julgados o de Fornos com todas as freguesias do concelho e o de Chas de Tavares com as freguesias de Antas, S. Joao da Fresta, Travanca, Varzea e Chas de Tavares, Vila Cova do Covelo, Cabra (Riba Mondego) e Vila Franca da Serra.
Estava em parte feita alguma justica e esta circunscricao ja fazia algum sentido, no entanto ainda continua a nao fazer qualquer sentido, que freguesias tao perto de Fornos, como Juncais, Mesquitela e Vila Ruiva, nao fizessem parte desta comarca e ate do concelho!
A camara reclamou e apresentou as razoes, principalmente da distancia, em como deviam ser incorporadas nesta comarca e concelho, povoacoes muito mais perto de Fornos do que dos respectivos concelhos, mas de todas as diligencias so resultou a incorporacao em 1879 de Juncais, que entao pertencia a Celorico da Beira depois da extincao de Linhares e, Vila Ruiva que era de Gouveia desda a mesma altura.
Se e verdade que essa comarca fazia muito sentido e se encontrava mais ou menos central, nunca os legisladores Lisboetas tiveram o bom senco, de fazer com que a comarca e o concelho, tivessem as mesmas fronteiras geograficas e, ao concelho so foram agregadas as freguesias de Juncais com a povoacao de Vila Soeiro do Chao e do Cadoico, que foi retirada a freguesia da Mesquitela e a de Vila Ruiva.
Com esta organizacao administrativa, que ainda hoje existe, cometeu-se uma aberracao geografica onde por exemplo: Vila Franca da Serra que fica a 5 quilometros de Fornos pertence a Gouveia que fica a mais de 10, Varzea de Tavares e S. Joao da Fresta a 6 ou 7 de Fornos e vinte e tal de Mangualde e, Antas e Matela a 8 ou 9 de Fornos e a quase vinte de Penalva do Castelo!
Mas a saga das comarcas nao terminou, porque em 1895 foi novamente extinta a comarca de Fornos e de novo incorporadas as freguesias do concelho, na comarca de Celorico da Beira. Como nao podia deixar de ser as populacoes reclamaram e com direito, voltando a ser restaurada em 1898.
Mas nao ficamos por aqui, porque em 1926 o governo da ditadura voltou a extinguir novamente a comarca de Fornos de Algodres, passando nos novamente para Celorico. Mas devido novamente a reclamacoes e manisfestacoes, foi criado um julgado em Fornos em 1931, incorporado na comarca de Celorico.
A gente da minha terra continuava e reclamar e finalmente foi-lhe reconhecido, o direito a ter um tribunal proprio e, em Maio de 1977 foi novamente criada uma comarca Judicial em Fornos de Algodres. Foi um dia de grande regozijo e alegria para todos os fornoalgodrenes, e de mais alegria foi, quando foi inaugurado o edificio do novo tribunal em 1999!
Digamos que neste momento, o tribunal de Fornos e mais moderno e funcional, do que o de Celorico, para onde nos querem mandar outra vez!
Depois de toda esta explanacao, gostava de fazer uma pergunta a quem de direito, porque e que se com estas coisa de extincoes, tem sempre que engrandecer os que em si ja tem alguma grandeza? E nao se faz uma verdadeira justica, usando os bons equipamentos existentes, criando centralidades oficiais que ja existem no terreno, dando assim as pessoas servicos mais perto e, nao o contrario?!
Para isso teria que fazer-se uma verdadeira reorganizacao, e incorporar na comarca e concelho de Fornos de Algodres, varias freguesias dos concelhos e comarcas de Gouveia e Mangualde que inclui o concelho de Penalva do Castelo. Vejam que Celorico nem ficaria em nada afectado e, populacoes actuais de Gouveia e Mangualde, ficariam melhor servidas, enquanto se aliviavam esses tribunais, com melhor justica para todos!
Porque que e que, temos que continuar calados, com as injusticas que remontam a tanto tempo?!
Mas pudera, que barulho poderam fazer, quatro mil e tal pessoas e, quem lhes ouvira a voz cada vez mais sumida, e quem tem sido por tanto tempo, o culpado de tudo isto?
A possivel e mais que provavel, extincao do tribunal de Fornos de Algodres, e a "agregacao" da sua area, ao de Celorico da Beira, vem levantar e, desenterrar rivalidades antigas, de centenas ou ate milhares de anos, entre os povos do actual concelho de Fornos e os de Celorico.
Estas rivalidades, muitas vezes justificadas ou nao, poderam ter origens antes da fundacao da nossa nacionalidade, mas encontram-se documentadas muito bem, principalmente e sempre, desde a nossa idade media!
Nesta "guerra" aparecem por vezes uma ajuda de Algodres e Fornos, a Celorico, como a que aconteceu durante e reinado de D. Sancho I, quando em 1189 o alcaide de Celorico se encontrava cercado pelo exercito do Rei de Leao. E foi a ajuda do alcaide de Linhares a seu irmao e, dos homens de armas dos concelhos de Algodres e Fornos, de Trancoso e Guarda, que na batalha da Penhadeira ou Velosa, derrotaram os "leoneses" salvando assim Celorico, que esteve cercado bastante tempo.
Acontece que tanto quanto sei ,esta ajuda nunca mais foi reciproca, pois ja em 1258, e isto sabe-se pelas inquiricoes de D. Afonso III, que o alcaide de Celorico: Fernao Rodrigues Pacheco, ja tinha usurpado pelo menos a aldeia da Muxagata e outras terras, que pertenciam ao concelho reguengo de Algodres.
Poucos anos mais parte, em 1277, estes mesmos Pachecos lutaram contra os Soveral seus "irmaos", que estavam ao lado dos Tavares, na lide de Fornos de Algodres, onde mataram o Estevao Soares Soveral, que era do seu sangue!
Nunca mais, nenhuma das terras do que e hoje o Municipio de Fornos deAlgodres, esteve debaixo da alcada de Celorico durante a primeira dinastia, e os nossos reis fizeram valer a nossa independencia e direitos, e concederam: D. Afonso Henriques a carta de Couto a Figueiro da Granja em 1170, D. Sancho I foral a Algodres em 1200, D. Afonso III foral a Matanca em 1258, D. Dinis forais a Fornos em 1310 e a Algodres em 1311.
Todas estas terras que foram concelhos medievais, sempre foram terras independentes e, onde so o rei tinha jurisdicao!
Ora tudo isto comecou a mudar com o Rei D. Fernando, quando em 1346, concedeu o senhorio de Algodres e Fornos aos Caceres, que tinham fugido de Castela, mas com as varias guerras que este rei manteve com Castela e, de acordo com as mudancas assim iam acontecendo na politica do rei, que foi desastrosa, porque as terras que ele tinha dado aos Caceres uns anos antes, foram mais tarde doadas a uma filha natural que ele teve; Dona Isabel de Portugal, que foi casada com o conde de Noronha e Guigon, que tambem era filho ilegitimo do rei de Leao e Castela. (veremos adiante a ligacao destes com Fornos)
Com as lutas da independencia do seculo XIV, que o D. Joao Mestre de Avis teve com D. Joao de Castela, embora se tenha dado uma sangrenta batalha, em Santa Eufemia da Matanca, e outra em S. Marcos de Trancoso, vencidas pelos portugueses. Aparentemente devido a ligacao dos condes de Guigon, Senhores de Viseu, Algodres. Fornos, Linhares e Celorico, ao rei de Castela, contra o Mestre, ja nessa altura rei D. Joao I e, porque provavelmente os soldados destas terras teram alinhado com o rei de Castela. O rei D. Joao I, extinguiu os antigos concelhos Algodres, Fornos, Infias, Matanca, aos dois primeiros juntou-os a Celorico, Infias a Viseu, e a Matanca a Trancoso.
Acontece que, como seria natural, a nossa gente nao era tratada devidamente, pelos concelhos a que foram agregadas, e devido a lutas politicas e ate a algumas mais formais, conseguiram todas as terras de Algodres, reaver os seus direitos antigos, voltando a ser livres, a usarem as perrogativas que possuiam e, que os seus forais lhes concediam!
Mas se e verdade, que juridicamente as coisas continuaram como ate ai, e ate foram renovados por D. Manuel I, os forais antigos, tanto a Algodres, como a Fornos, Matanca e Figueiro da Granja. Ja no reinado de D. Duarte foi concedido o senhorio de Fornos aos Abreu, D. Afonso V (no governo do conde D. Pedro) concedeu-o aos Melo.
Mas as coisas so realmente comecaram a piorar para Fornos e Algodres quando D. Joao III, criou o Condado de Linhares para a Familia Noronha (descendentes directos dos condes de Guigon) e lhes deu os senhorios de Algodres e de Fornos.
Assim estiveram estas terras, durante todo o tempo da dinastia dos Felipes, que os condes de Linhares ajudaram a implantar, e foram tao seguidores dos espanhois, que ja depois da restauracao da independencia em 1640, (aclamada e comemorada festivamente pela familia Abreu e pelo clero e o povo de Fornos) estes mesmos Condes de Linhares, se envolveram numa conspiracao para matar D. Joao IV, o que lhes valeu a extincao do condado e confisco dos bens, pela parte do rei portugues e o premio do Ducado de Linhares, por parte do rei espanhol.
Rivalidades com Celorico existiram tambem no seculo XVI, quando foram fundadas as Misericordias. Existia na regiao a familia Cabral, descendentes dos Cabrais de Azurara (Mangualde) e Belmonte, que tinha ramos em Celorico e em Fornos. Ora uns destes Cabrais que tinham em Fornos a Capela de Na. Sa. da Saude (onde hoje existe a Igreja da Misericordia) fizeram varias doacoes, com a finalidade da fundacao da Misericordia de Fornos, mas a havia uma clausula com uma data limite e, se nao fosse fundada em Fornos, seria fundada em Celorico. Os de Celorico moveram todas as influencias, para que isso acontece-se, pois queriam funda-la nessa vila, felizmente isso nao aconteceu e, a pedido da camara, nobreza e povo, foi criada por alvara regio em 12 de Outubro de 1666, a Santa Casa da Misericordia de Fornos de Algodres. Um pouco mais tarde foi edificada a bonita igreja barroca da Misericordia, muito mais grandiosa e imponente, do que a da Misericordia de Celorico, fundada mais tarde, que e na realidade nao passa uma pequena capela!
Quando foi extinto o condado de Linhares, passaram as terras pertenca desses condes, (No nosso caso Algodres e Fornos) para a posse da Casa de Braganca em 1642 e, em 1654 para a Casa do Infantado, criada em favor dos segundos filhos dos reis, coisa que se manteve ate que durante a epoca liberal, foram extintos todos os senhorios, por decreto de 18 de Marco de 1834.
No entanto e embora as terras tivessem ficado debaixo do senhorio dos Infantes, continuavam a regular-se e e governar-se pelos seus forais e tinham as suas justicas independentes, sendo as camaras que pagavam os direitos aos Infantes, e era em Linhares onde estava a sede da Comarca ou "Correicao", ou "Ouvidoria" como se dizia nesse tempo.
Mas Linhares ia definhando aos poucos, comecando depois da expulsao dos judeus e, da instituicao da inquisicao, no seculo XVI, mas e principalmente a partir a restauracao da nossa independencia nacional, com a extincao do condado. Fornos era das vilas da comarca de Linhares a mais importante e com mais populacao, havendo ate muitas alturas em que o corregedor residia e despachava de Fornos de Algodres! Nem era de admirar isso, porque a localizacao era melhor e mais central e, o clima de Fornos era muito menos severo do que Linhares, que fica ja na serra, enquanto Fornos esta no vale do Mondego e, junto a uma rede viaria, ja importante durante a romanizacao!
O real problema para nos, comecou quando em 1836, foram extintos cerca de metade dos concelhos portugueses. Originalmente com a extincao de Penaverde, Fornos, Figueiro da Granja, Matanca, Infias, e Casal do Monte e a sua incorporacao em Algodres, foi uma medida acertada, mas logo no ano a seguir, novo decreto, passa a sede de concelho para Fornos e retira-lhe as freguesias de Penaverde, Forninhos e Dornelas!
Com este decreto nao so o concelho ficou mais pequeno, como a sua sede ficou descentralizada e numa ponta, o que nao fazia muito sentido, mas a maioria vence e neste caso isso aconteceu, porque como disse ja, desde o inicio da idade moderna, Fornos era a povoacao mais importante da comarca.
Quando estas modificacoes aconteceram, o Concelho D'Algodres, passou a estar incluido na comarca de Gouveia.
Entretanto foi tambem extinto o concelho de Linhares em 1855, e incorporadas as suas freguesias nos concelhos de Gouveia e Celorico da Beira, o que foi um erro historico, porque Linhares sempre teve muito mais ligacao a Fornos e a Algodres do que a Celorico e Gouveia!
Com estas mudancas administrativas, tambem houveram mudancas na justica, e entao foram criadas a relacoes de Lisboa e Porto, estando estas divididas em Distritos de Julgados, o nosso era o de Trancoso e em julgados de primeira instancia, o nosso em Fornos de Algodres.
Com a criacao das novas Comarcas em 1873, foi extinto o julgado de Fornos e incorporado na entao criada comarca de Celorico da Beira. E foi a partir dai que se reacenderam as nossas rivalidades antigas, porque ou por falta de influencia, ou desinteresse da nossa gente, nao foram respeitadas as origens comuns de Fornos e Linhares!
Mas as populacoes nao se calaram contra esta injustica e, passados dois anos com a nova reorganizacao judiciaria de 1875 e decreto de 18 de Novembro, foi criada uma comarca em Fornos de Algodres separada de Celorico, com dois julgados o de Fornos com todas as freguesias do concelho e o de Chas de Tavares com as freguesias de Antas, S. Joao da Fresta, Travanca, Varzea e Chas de Tavares, Vila Cova do Covelo, Cabra (Riba Mondego) e Vila Franca da Serra.
Estava em parte feita alguma justica e esta circunscricao ja fazia algum sentido, no entanto ainda continua a nao fazer qualquer sentido, que freguesias tao perto de Fornos, como Juncais, Mesquitela e Vila Ruiva, nao fizessem parte desta comarca e ate do concelho!
A camara reclamou e apresentou as razoes, principalmente da distancia, em como deviam ser incorporadas nesta comarca e concelho, povoacoes muito mais perto de Fornos do que dos respectivos concelhos, mas de todas as diligencias so resultou a incorporacao em 1879 de Juncais, que entao pertencia a Celorico da Beira depois da extincao de Linhares e, Vila Ruiva que era de Gouveia desda a mesma altura.
Se e verdade que essa comarca fazia muito sentido e se encontrava mais ou menos central, nunca os legisladores Lisboetas tiveram o bom senco, de fazer com que a comarca e o concelho, tivessem as mesmas fronteiras geograficas e, ao concelho so foram agregadas as freguesias de Juncais com a povoacao de Vila Soeiro do Chao e do Cadoico, que foi retirada a freguesia da Mesquitela e a de Vila Ruiva.
Com esta organizacao administrativa, que ainda hoje existe, cometeu-se uma aberracao geografica onde por exemplo: Vila Franca da Serra que fica a 5 quilometros de Fornos pertence a Gouveia que fica a mais de 10, Varzea de Tavares e S. Joao da Fresta a 6 ou 7 de Fornos e vinte e tal de Mangualde e, Antas e Matela a 8 ou 9 de Fornos e a quase vinte de Penalva do Castelo!
Mas a saga das comarcas nao terminou, porque em 1895 foi novamente extinta a comarca de Fornos e de novo incorporadas as freguesias do concelho, na comarca de Celorico da Beira. Como nao podia deixar de ser as populacoes reclamaram e com direito, voltando a ser restaurada em 1898.
Mas nao ficamos por aqui, porque em 1926 o governo da ditadura voltou a extinguir novamente a comarca de Fornos de Algodres, passando nos novamente para Celorico. Mas devido novamente a reclamacoes e manisfestacoes, foi criado um julgado em Fornos em 1931, incorporado na comarca de Celorico.
A gente da minha terra continuava e reclamar e finalmente foi-lhe reconhecido, o direito a ter um tribunal proprio e, em Maio de 1977 foi novamente criada uma comarca Judicial em Fornos de Algodres. Foi um dia de grande regozijo e alegria para todos os fornoalgodrenes, e de mais alegria foi, quando foi inaugurado o edificio do novo tribunal em 1999!
Digamos que neste momento, o tribunal de Fornos e mais moderno e funcional, do que o de Celorico, para onde nos querem mandar outra vez!
Depois de toda esta explanacao, gostava de fazer uma pergunta a quem de direito, porque e que se com estas coisa de extincoes, tem sempre que engrandecer os que em si ja tem alguma grandeza? E nao se faz uma verdadeira justica, usando os bons equipamentos existentes, criando centralidades oficiais que ja existem no terreno, dando assim as pessoas servicos mais perto e, nao o contrario?!
Para isso teria que fazer-se uma verdadeira reorganizacao, e incorporar na comarca e concelho de Fornos de Algodres, varias freguesias dos concelhos e comarcas de Gouveia e Mangualde que inclui o concelho de Penalva do Castelo. Vejam que Celorico nem ficaria em nada afectado e, populacoes actuais de Gouveia e Mangualde, ficariam melhor servidas, enquanto se aliviavam esses tribunais, com melhor justica para todos!
Porque que e que, temos que continuar calados, com as injusticas que remontam a tanto tempo?!
Mas pudera, que barulho poderam fazer, quatro mil e tal pessoas e, quem lhes ouvira a voz cada vez mais sumida, e quem tem sido por tanto tempo, o culpado de tudo isto?
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